Excesso: quando a informação é não-informação
Por Ana Erthal
Já faz bastante tempo que essa questão me atormenta e não me lembro, mas acho que foi antes disso que eu decidi não ter televisão em casa.
No post anterior eu lembrei dos transeuntes do modernismo, que, impactados pelos anúncios e cartazes fixados nos muros, morriam atropelados por desatenção. Morriam também porque não estavam acostumados a viver em prédios e muito menos a cruzar com bondes elétricos nas ruas. Era excesso de urbanização.
No iMasters eu falei sobre como somos pipocados com as newsletters hora a hora, sequer temos o trabalho de ler o assunto, por vezes são deletadas no momento em que descem pra nossa caixa de e-mails.
Num texto interessante sobre excesso, Erick Felinto diz que “a noção de excesso aparece, de fato, em todos os campos da vida cultural, mas com força redobrada no horizonte dos meios de comunicação massivos”.
Hoje, temos seis contas de e-mail, temos perfil no Orkut, MySpace, Second Life, estamos no msn, no Skype, temos dois aparelhos de telefone celular, telefone fixo, nextel, temos uma rede de computadores em casa, para falarmos com nosso filho no quarto ao lado. As pessoas saem da frente do computador no trabalho, para ficar na frente do computador ou da TV em casa.
E o cinema então? Os últimos filmes que vi excederam nos limites do que pode ser imaginário: Transformers e Duro de Matar 4 – nesse um caça (aqueles aviõezinhos americanos que chegam em 15 segundos em qualquer lugar do planeta) entra no meio de um viaduto e fica de frente para um caminhão atirando no pobre coitado do Bruce Willis. A porradaria é tão forte que você sai cansado da sala, como se você tivesse lutado também.
Para não exceder na minha piração, finalizo com David Shenk, que diz que o excesso de informação “agita os momentos silenciosos e obstrui os tão necessários instantes de contemplação. Ele arruína a conversação, a literatura e mesmo o entretenimento. Ele inviabiliza o ceticismo, tornando-nos menos sofisticados como consumidores e cidadãos. Ele nos estressa.”
